O filme Em Nome de Deus faz um retrato denso e intenso de um episódio chocante ocorrido nas Filipinas: o seqüestro de um grupo de turistas e uma freira, Thérése Bergoui (Isabelle Huppert), que vão ao país levar mantimentos. A narrativa acompanha os dramas desse grupo ao ser obrigado a caminhar por um longo trajeto até o topo das montanhas filipinas. A postura de Thérése ao negociar com os seqüestradores o tempo todo faz dela a líder do bando de prisioneiros que passa por situações complicadas onde suas vidas correm perigo.
O desenvolvimento dos dramas individuais e coletivos dos prisioneiros se ocorre de maneira a interligar os dois lados formando uma teia que abrange tanto o desespero de cada um por estar vivendo uma situação-limite quanto a luta pela sobrevivência que se torna cada vez mais difícil à medida em que a floresta passa a cercar cada vez mais os personagens. A evolução dessa situação tão intensamente dramática faz com que o espectador se torne praticamente um outro personagem do filme, pois a cada momento ele sente-se uma parte da história cada vez mais próxima dos personagens.
O grande mérito de Em Nome de Deus é essa capacidade que o roteiro tem de trazer o espectador para o drama mostrado de modo a ele sentir as dores e dificuldades dos personagens. Por esse motivo Em Nome de Deus é um filme interessante e empolgante. A cumplicidade alcançada pelo excelente roteiro, pelos personagens bem construídos e pela excelente narrativa faz com que o público vá ficando cada vez mais envolvido com o clima do filme e se torne praticamente um dos reféns.
Essa capacidade é um dos principais méritos desse filme altamente recomendável e que proporciona momentos emocionantes ao público do bom cinema.
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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
quinta-feira, 22 de novembro de 2012
Um delicioso retrato da maturidade
Seguindo a tradição do cinema francês de retratar como é a vida na maturidade, o cineasta Stephane Roubelin faz um filme delicado, divertido e comovente que mostra um grupo de amigos idosos que resolvem dividir uma casa em busca de uma vida mais digna e independente.
O filme "E Se Vivêssemos Todos Juntos" é extremamente bem construído e possui um roteiro muito atraente que prende a atenção do espectador porque se desdobra naturalmente sem atropelos, revelando os dramas de cada membro do grupo. Annie (Geraldine Chaplin), Jean (Guy Bedos), Claude (Claude Rich), Albert (Pierre Richard) e Jeanne (Jane Fonda) são pessoas que se encontram na mesma fase da vida, onde já viveram muito, já tiveram muitas histórias e, agora que estão no fim da vida, querem manter a liberdade que sempre foi o que mais valorizaram.
Por isso, a idéia de viverem todos juntos chega como uma alternativa para outro grande problema que assombra as pessoas principalmente na velhice: a solidão e o abandono. O filme mostra que a opção de viver em uma comunidade é o que traz uma nova esperança para todos os membros do grupo. Para cada um deles as relações construídas ali são as únicas alternativas à indiferença dos parentes, à solidão, ao desamparo e à incompreensão dos outros.
O grande mérito do filme é justamente essa visão da maturidade sem meias-palavras, sem amenizar os problemas que essa fase difícil enfrenta e, ainda assim, tratar isso com leveza e humor sem cair na pieguice. Um filme altamente rcomendável para quem gosta de histórias humanas e sensíveis.
O filme "E Se Vivêssemos Todos Juntos" é extremamente bem construído e possui um roteiro muito atraente que prende a atenção do espectador porque se desdobra naturalmente sem atropelos, revelando os dramas de cada membro do grupo. Annie (Geraldine Chaplin), Jean (Guy Bedos), Claude (Claude Rich), Albert (Pierre Richard) e Jeanne (Jane Fonda) são pessoas que se encontram na mesma fase da vida, onde já viveram muito, já tiveram muitas histórias e, agora que estão no fim da vida, querem manter a liberdade que sempre foi o que mais valorizaram.
Por isso, a idéia de viverem todos juntos chega como uma alternativa para outro grande problema que assombra as pessoas principalmente na velhice: a solidão e o abandono. O filme mostra que a opção de viver em uma comunidade é o que traz uma nova esperança para todos os membros do grupo. Para cada um deles as relações construídas ali são as únicas alternativas à indiferença dos parentes, à solidão, ao desamparo e à incompreensão dos outros.
O grande mérito do filme é justamente essa visão da maturidade sem meias-palavras, sem amenizar os problemas que essa fase difícil enfrenta e, ainda assim, tratar isso com leveza e humor sem cair na pieguice. Um filme altamente rcomendável para quem gosta de histórias humanas e sensíveis.
quinta-feira, 15 de novembro de 2012
Um elefante morno
Seguindo com sua tradição de retratar a realidade social da Argentina, o cinema argentino apresenta mais um filme que explora esse filão: Elefante Branco de Pablo Trapero que faz uma análise dessa época na qual a crise econômica argentina atinge a população em todas as camadas sociais. O elefante do título e um edifício onde o padre Julien (Ricardo Darín) faz um importante trabalho social com o objetivo de livrar os jovens da criminalidade.
Esse momento tão complicado da realidade aparece na relação entre Julien, o padre estrangeiro Nicolás (Jérémy Reiner) e a assistente social Luciana (Martina Guzman) que se aproxima de Julian agravando a sua crise pessoal. Além disso, a relação entre Julian e a comunidade aparece através da ajuda que ele presta aos desabrigados que vão morar no prédio conhecido como Elefante Branco e que entram em conflito com o poder público por causa disso.
Ao longo do filme esses problemas se agravam e os moradores se unem para enfrentar o poder público. O filme vai narrando as diferentes dificuldades enfrentadas por todos os personagens mostrando como cada um enfrenta a situação.
Com momentos enfadonhos, Elefante Branco chega a irritar quem está na cadeira pela lentidão e falta de ação com que é conduzido em alguns momentos. O filme é interessante, mas seria melhor se tivesse um ritmo mais ágil e emocionante já que a trama carede de emoção da metade para o fim.
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